Tem uma história curiosa por trás de Mina the Hollower: o jogo começou como um projeto pessoal de Alec Faulkner, desenvolvedor da Yacht Club Games, que queria exercitar suas habilidades de programação e arte nas horas vagas. Não era pra ser um produto comercial. Mas a gerência da empresa — os mesmos que lançaram Shovel Knight — viu o projeto e entendeu que tinha algo especial ali. Quatro anos depois, o resultado é o jogo mais bem avaliado de 2026: 92 pontos no Metacritic para a versão PC, com 99% de recomendações no OpenCritic.

Eu joguei Mina the Hollower do início ao fim, e preciso dizer: essa é exatamente a experiência que eu esperava de um estúdio que já provou saber fazer jogos de plataforma retrô com alma. Mas Mina não é Shovel Knight 2. É uma coisa diferente — mais sombria, mais densa — e isso é o que torna ela tão impressionante.

Ficha técnica — Mina the Hollower

  • Desenvolvedor: Yacht Club Games
  • Lançamento: 29 de maio de 2026
  • Plataformas: PC (Steam, GOG, Humble), PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Switch 2
  • Gênero: Ação e aventura isométrico
  • Preço: R$ 59,90 (Steam)
  • Nota Metacritic (PC): 92/100 — Aclamação universal
  • Trilha sonora: Jake Kaufman + Yuzo Koshiro

Uma ratinha, um chicote e uma ilha à beira do colapso

A protagonista é Mina, uma ratinha que é, ao mesmo tempo, gênio inventora e membro dos Hollowers — uma guilda dedicada ao estudo das profundezas da Terra. Ela chega à Tenebrous Isle, a única grande cidade da região de Ossex, com uma missão: restaurar as Spark Towers que ela mesma projetou e que mantinham a ilha funcionando. Alguém as destruiu. Esse alguém é Thorne, um morcego que foi chefe da guarda do Barão Lionel antes de trair o patrão.

A história não vai te surpreender muito no meio, mas o mundo em si vai. Tenebrous Isle é um lugar de horror gótico habitado por animais antropomórficos — uma estética que mistura o visual do Game Boy Color com uma atmosfera que remete a Castlevania e Bloodborne ao mesmo tempo. Quando a trilha sonora de Jake Kaufman (compositor histórico da Yacht Club) entra em cena — com dois tracks convidados do lendário Yuzo Koshiro, criador da trilha de Streets of Rage — o peso da ilha fica tangível.

Gameplay de Mina the Hollower em perspectiva isométrica estilo Game Boy Color: Mina combatendo inimigos com o chicote Nightstar
IMAGEM · mina-the-hollower-gameplay-2026.webp · Fonte: Yacht Club Games / Steam

O que torna o gameplay diferente

Em perspectiva isométrica 3/4, como os clássicos do Game Boy Color — pense em Zelda: Oracle of Seasons — Mina se move pelo mapa explorando, resolvendo puzzles ambientais e enfrentando inimigos. Sua arma principal é o chicote Nightstar, que ataca nas quatro direções. Você escolhe uma arma secundária no início — machado, lâminas ou martelo — e pode desbloquear as demais ao longo do jogo, mas é sua escolha inicial que molda o estilo de combate.

A mecânica que me pegou de verdade foi o Hollowing: Mina pode literalmente mergulhar no chão, atravessando curtas distâncias embaixo da terra enquanto fica completamente invulnerável. Parece estranho quando você lê, mas é o tipo de coisa que em cinco minutos de jogo já se torna instintiva — e estrategicamente crucial contra bosses. Adicione trinkets equipáveis que modificam stats permanentes, e você tem um sistema de progressão simples mas muito eficaz.

Mina the Hollower foi projetado para imitar fielmente as limitações técnicas do Game Boy Color: sem assets 3D, quatro cores por tile. A única exceção foi a resolução widescreen.

Yacht Club Games, sobre a filosofia visual do jogo

Essa fidelidade ao hardware original é intencional e absurdamente bem executada. O visual não é apenas nostalgia vazia: cada área tem identidade própria dentro dessas limitações. Nox's Bayou, o pântano venenoso com um dos geradores, é um dos ambientes mais memoráveis que joguei em anos — e ele caberia num cartucho de 1998.

Veja o trailer oficial de lançamento

Mina the Hollower — Trailer Oficial de Lançamento | Yacht Club Games

VÍDEO · Trailer oficial de lançamento · Fonte: Yacht Club Games / YouTube

O melhor jogo indie de 2026? Provavelmente sim

Mina the Hollower vendeu 300 mil cópias nos primeiros três dias — número que levou o próprio diretor da Yacht Club a declarar publicamente sua surpresa com o fato de que "o jogo mais bem avaliado de 2026 não é o que vende mais rápido". É uma observação honesta e um pouco frustrante: num mercado dominado por sequências de franquias bilionárias, um projeto que começou como hobby de um desenvolvedor está sentado no topo de todas as listas de crítica do ano.

Boss fight em Mina the Hollower: Mina enfrentando um dos chefes da ilha com iluminação dramática em ambiente noturno gótico
IMAGEM · mina-the-hollower-boss-2026.webp · Fonte: Yacht Club Games / Steam

A Yacht Club Games tinha tudo pra ser uma desenvolvedora de one-hit wonder — aquele estúdio que fez Shovel Knight e ficou para sempre repetindo a fórmula. Mina the Hollower é a prova de que eles não são isso. Você tem aqui um dos jogos mais cuidadosamente construídos do ano, com uma protagonista que merece ficar no imaginário do game design por muito tempo. Essa é minha posição, e não é difícil de defender.

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