Confesso que quando ouvi "Mamoru Hosoda fez um Hamlet com anime de ação medieval e viagem no tempo" minha primeira reação foi uma sobrancelha suspensa. O homem que me fez chorar com Wolf Children e Summer Wars agora estava metendo princesas medievais em portais espaço-temporais? Assistí com ceticismo. Saí completamente convertida.

Scarlet chegou ao streaming neste mês e finalmente está disponível para o público brasileiro — no Netflix internacionalmente desde 6 de junho, e para aluguel/compra por aqui no Prime Video, Apple TV e YouTube. Depois de uma estreia nos cinemas em 2025 que foi, diplomaticamente falando, um desastre de bilheteria no Japão, o filme agora tem a chance de encontrar o público que merecia desde o início. E acredite: esse público vai adorar.

Ficha técnica — Scarlet (2025)

  • Diretor: Mamoru Hosoda
  • Estúdio: Studio Chizu
  • Duração: Não divulgada oficialmente
  • Inspiração: Hamlet, de William Shakespeare
  • Onde assistir: Netflix (internacional) · Prime Video, Apple TV e YouTube (Brasil)
  • Premiações: Indicado ao Annie Award 2026 — Melhor Direção e Melhor Roteiro

Do que se trata Scarlet

A premissa é ao mesmo tempo simples e completamente maluca: Scarlet é uma princesa medieval treinada para a batalha que falha em vingar a morte do seu pai e, nesse momento de derrota, desperta numa espécie de limbo chamado "Terra dos Mortos". Lá ela encontra Ren, um jovem do presente que de alguma forma também acabou nesse lugar — e que vai enxergar o mundo de Scarlet de um jeito que ela nunca esperava.

É Hamlet? É. Mas é Hamlet filtrado por tudo que faz Hosoda ser Hosoda: mundos paralelos, laços entre pessoas de realidades diferentes, e uma pergunta central que está em todo filme dele — o que acontece com a gente quando largamos o ódio que nos define? Em Belle era a identidade. Em Wolf Children era a perda. Em Scarlet é a vingança.

Scarlet e Ren em cena do filme — a princesa guerreira e o jovem do mundo moderno frente a frente na Terra dos Mortos
IMAGEM · scarlet-hosoda-netflix-cena.webp · Fonte: Studio Chizu (press kit)

Por que o filme importa — mesmo que as críticas sejam divididas

A recepção de Scarlet foi complicada. No IMDB está com 6.5 — o que, para um filme de Hosoda, parece uma punição severa demais. Tem gente que chama de "o pior filme dele" (discordo com veemência), e tem gente chamando de "o Hamlet mais bonito já animado" (concordo muito mais com esse campo). A divisão, aliás, faz sentido: Scarlet é ambicioso de um jeito que às vezes tropeça no próprio tamanho.

Mas aqui está o que ninguém está discutindo: visualmente, o filme é de parar. O Studio Chizu tem uma linguagem de animação que mistura traços suaves com ação coreografada de forma que poucos estúdios conseguem, e Scarlet eleva isso a outro patamar. As sequências de batalha são simultaneamente épicas e íntimas — você vê o peso de cada golpe na postura de Scarlet, não só no efeito visual. Isso não é pouca coisa.

Visualmente ambicioso e emocionalmente sincero: Scarlet é Hosoda no limite do que ele mesmo ousaria tentar.

Jéssica Lopes · GeekFeed

As indicações ao Annie Award 2026 para Melhor Direção e Melhor Roteiro não são coincidência. A academia de animação reconheceu o risco criativo antes do público em massa. Talvez o streaming seja o lugar onde esse público finalmente apareça.

Scarlet — Official Trailer (English) · Studio Chizu

Onde assistir no Brasil: Scarlet está disponível para aluguel por R$ 14,99 e compra por R$ 44,99 no Prime Video, Apple TV e YouTube. No Netflix, está disponível nos territórios internacionais — verifique a disponibilidade na sua conta. Tem legenda e dublagem em português.

Hosoda não faz filmes para você sair confortável. Ele faz filmes para você sair um pouco diferente de quando entrou. Scarlet não é a exceção — é só a versão mais crua, mais violenta e mais honesta dessa proposta. Vale cada minuto, incluindo os que vão te deixar inquieta.