Marvel Tōkon: Fighting Souls saiu no dia 6 de agosto para PS5 e PC, e é o jogo de luta de times da Arc System Works — o estúdio de Guilty Gear Strive e Dragon Ball FighterZ — com 20 personagens da Marvel e um sistema de combate 4v4. Se você cresceu enfiando ficha em Marvel vs. Capcom 2, essa é a linhagem. Eu esperava esse jogo desde que ele apareceu na Evo do ano passado com seis personagens jogáveis, e ele finalmente está aqui.

O que a Arc entregou é exatamente o que ela sabe fazer melhor: um fighting game bonito de doer, com animação em cel-shading que faz o Homem-Aranha se mover como num quadrinho e o Doutor Destino intimidar só de entrar em tela. A dúvida nunca foi se o jogo ia ser competente mecanicamente — foi sempre o resto. E é no resto que a coisa complica.

Ficha técnica — Marvel Tōkon: Fighting Souls

  • Desenvolvedora: Arc System Works (com Marvel Games)
  • Distribuidora: PlayStation Publishing / Sony
  • Plataformas: PS5 e PC (Steam)
  • Lançamento: 6 de agosto de 2026
  • Gênero: Luta de times, 4 contra 4
  • Personagens: 20 no lançamento (mais DLC a caminho)
Marvel Tōkon: Fighting Souls — Trailer de Lançamento

O que é Marvel Tōkon: Fighting Souls ?

É um jogo de luta em que cada jogador monta um time de quatro heróis e reveza entre eles no meio da porrada — o famoso formato tag, que a Arc System Works domina desde Dragon Ball FighterZ. A diferença aqui é a escala: em vez de trios, são quatro personagens por lado, com assists, trocas rápidas e combos que passam de um herói para o outro sem cortar a coreografia. É agressivo, é vistoso, e recompensa quem investe tempo em entender as sinergias entre os quatro.

O modo Episódio tenta algo que eu achei curioso: misturar a linguagem do quadrinho americano com a do mangá japonês para contar a história, num formato próprio em vez do modo arcade tradicional. Nem sempre funciona, mas é uma tentativa honesta de fazer um single-player que não seja só um tutorial disfarçado.

Quem está no roster de lançamento?

São 20 personagens no lançamento, divididos em cinco times temáticos de quatro. Os X-Men aparecem com Tempestade, Ilyana (Magik), Wolverine e Danger. Os Vingadores trazem Capitão América, Homem de Ferro, Hulk e Pantera Negra. Do lado dos vilões, o time Knights of Doom junta Doutor Destino, Magneto, Duende Verde e Carnage — e é o grupo que eu mais quis jogar logo de cara.

Roster de personagens de Marvel Tōkon: Fighting Souls incluindo Wolverine, Homem-Aranha e Doutor Destino
IMAGEM · marvel-tokon-fighting-souls-roster-2026.webp · Fonte: Arc System Works / Steam

Completam a lista os Amazing Guardians (Homem-Aranha, Ms. Marvel, Senhor das Estrelas e Peni Parker) e os Samurai Outriders, que juntam Motoqueiro Fantasma, Blade, Loki e Deadpool. É um elenco que mistura os nomes óbvios de bilheteria com escolhas que só um fã de HQ pediria — e essa mistura é justamente o charme.

Por que a crítica está dividida?

Aqui é onde o lançamento fica interessante. As notas foram de 6,5 a 9, e a divisão não é sobre o jogo em si — é sobre em qual plataforma você joga. No console, o COGconnected deu 90 e o DayOne cravou 9, chamando o jogo de "sucessor à altura do legado de Marvel vs. Capcom". No PC, o Chicas Gamers ficou nos 6,5, e deixou claro que a nota baixa era quase inteiramente por problemas de performance e fluidez — com promessa de revisar quando os patches saírem.

No Metacritic o jogo abriu em torno de 90 (com pouquíssimas resenhas ainda), enquanto o OpenCritic marcava perto de 82. O sistema de luta, a movimentação e a profundidade do elenco foram elogiados quase de forma unânime. O problema mora fora do ringue.

Por que o Steam foi "review-bombado"?

A versão de PC do jogo levou uma enxurrada de avaliações negativas no Steam, e as reclamações se concentram em dois pontos. O primeiro é a exigência de conta obrigatória da PlayStation Network para jogar no PC — o mesmo estopim que detonou a revolta de Helldivers 2 em 2024. O segundo é técnico: parte da queda de performance vem de processos do SDK da Sony rodando em segundo plano, independentemente da otimização do jogo.

Somando a isso, o jogo é incompatível com SteamOS, Steam Deck e Steam Machine — o que, num momento em que o handheld da Valve virou plataforma de peso, é um tiro no próprio pé. Não é a primeira vez que a Sony transforma um lançamento de PC em dor de cabeça por causa de exigência de login, e sinceramente já passou da hora de aprenderem a lição.

Quanto custa Marvel Tōkon no Brasil?

O jogo chegou à PlayStation Store brasileira em três edições. A padrão sai por R$ 339,90; quem quiser o passe do Ano 1 já embutido paga mais.

PS5PC — SteamRequer conta PSN
EdiçãoO que incluiPreço (BR)
PadrãoJogo-base com os 20 personagensR$ 339,90
Digital DeluxePasse do Ano 1 + avatares de lobbyR$ 484,50
UltimatePasse do Ano 1 + avatares + cosméticosR$ 569,90

E o que vem depois?

A Arc já confirmou pelo menos quatro personagens adicionais como DLC pós-lançamento, e o primeiro deles é o Phoenix Cyclops — a fusão de Ciclope com a Força Fênix. Há ainda a possibilidade, não confirmada, de The Champion, o chefe final do jogo, virar jogável. Traduzindo: o roster de 20 é o ponto de partida, não o teto.

Marvel Tōkon é um baita jogo de luta preso a decisões corporativas que não têm nada a ver com jogo de luta. No PS5, eu recomendo sem pestanejar — é o melhor tag fighter da Marvel desde o MvC2, e a Arc System Works não erra quando o assunto é sistema de combate. No PC, eu esperaria uns patches e prestaria atenção no que a Sony vai fazer com a exigência de conta PSN antes de gastar os R$ 339,90. O jogo é excelente. O jeito como ele chegou ao PC é que ainda precisa de um respawn.