Assinar os sete streamings de filmes e séries mais populares do Brasil, todos no plano de topo e sem anúncios, custa R$ 317,30 por mês em julho de 2026. Isso dá R$ 3.807,60 no ano — mais do que o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro, que o IBGE aponta em R$ 3.722. Traduzindo: o brasileiro médio trabalharia um mês inteiro só para pagar um ano de streaming completo. E olha que nem coloquei anime, cinema autoral ou canal esportivo nessa conta ainda.

Eu resolvi fazer essa soma porque cansei de ver a piada de que "streaming ficou a nova TV a cabo". Não é piada. É matemática. Quando a Netflix chegou por aqui em 2011, a proposta era simples: um catálogo gigante por um preço que fazia a locadora e a operadora de TV parecerem roubo. Quinze anos depois, o que era um app virou sete, cada estúdio puxou seu conteúdo pra dentro de casa, e a soma da conta reconstruiu exatamente aquilo que a gente estava fugindo. Vamos aos números.

A conta rápida — julho de 2026

  • 7 serviços · topo: R$ 317,30/mês  ·  R$ 3.807,60/ano
  • 7 serviços · barato: R$ 171,39/mês  ·  R$ 2.056,68/ano (com anúncios)
  • Salário mínimo 2026: R$ 1.621  ·  o plano cheio come ~19,6% dele
  • Rendimento médio: R$ 3.722/mês (IBGE, 1º tri 2026)

Quanto custa cada streaming no Brasil em 2026

Antes de somar, vale ver os preços de perto. Peguei os sete serviços que qualquer pessoa citaria se você perguntasse "quais são os streamings famosos de filme e série": Netflix, Disney+, Prime Video, Max, Globoplay, Apple TV+ e Paramount+. Para cada um listei o plano mais barato (quase sempre o com anúncios) e o plano de topo, sem propaganda e com a melhor qualidade de imagem.

ServiçoPlano mais baratoPlano de topo
NetflixPadrão c/ anúncios —R$ 20,90Premium 4K —R$ 59,90
Disney+Padrão c/ anúncios —R$ 27,99Premium (com ESPN) —R$ 66,90
Prime VideoMensal —R$ 19,90Sem anúncios —R$ 29,90
MaxBásico c/ anúncios —R$ 29,90Platinum 4K —R$ 55,90
GloboplayPadrão c/ anúncios —R$ 22,90Premium —R$ 39,90
Apple TV+Plano único —R$ 29,90Plano único —R$ 29,90
Paramount+Básico —R$ 19,90Premium —R$ 34,90
TOTAL — 7 serviçosR$ 171,39/mêsR$ 317,30/mês

Repare numa coisa: a diferença entre o pacote barato e o pacote de topo é de R$ 145,91 por mês. Você paga quase o dobro para tirar a propaganda e ganhar 4K. Faz sentido para quem tem uma TV grande e boa; para quem assiste no celular no ônibus, é dinheiro jogado numa resolução que a tela nem mostra. Guarde esse detalhe — ele importa na hora de cortar.

Tela de smartphone mostrando ícones dos aplicativos Netflix, Prime Video, Disney+, Max e Globoplay lado a lado
IMAGEM · quanto-custa-todos-streamings-brasil-apps-2026.webp · Fonte: GeekFeed

E se você é do time cinéfilo raiz ?

Os sete de cima são o feijão com arroz. Mas tem gente — eu, por exemplo — que não vive só de blockbuster. Se você quer o cinema autoral do MUBI (R$ 34,90) e o cardápio de lançamentos do Telecine (R$ 29,90) na jogada, a conta do pacote de topo pula para R$ 382,10 por mês. No ano, são R$ 4.585,20 — quase três salários mínimos inteiros. E isso ainda deixando de fora o Crunchyroll (R$ 24,90 no plano Mega Fan) para quem é de anime.

NetflixDisney+Prime VideoMaxGloboplayApple TV+Paramount+MUBITelecineCrunchyroll

Ninguém no juízo perfeito assina tudo isso ao mesmo tempo, claro. Mas o ponto do exercício não é o cenário maluco — é enxergar que o "só mais um appzinho" tem um teto muito mais alto do que a gente admite quando aperta o botão de assinar às onze da noite para ver uma série específica.

O que R$ 317 por mês significam no bolso do brasileiro

Aqui é onde o número deixa de ser curiosidade e vira retrato social. O salário mínimo em 2026 é de R$ 1.621. O pacote de streaming completo, a R$ 317,30, engole 19,6% dele — quase um quinto do que uma pessoa recebe no mês some em entretenimento antes de comprar comida, pagar luz ou pegar um ônibus. Para quem vive de mínimo, isso não é uma conta de streaming; é uma conta de luxo.

Mesmo olhando para o rendimento médio brasileiro, de R$ 3.722, o pacote cheio representa 8,5% da renda mensal. Parece pouco escrito assim, mas é mais do que muita família gasta com gás de cozinha e conta de água somados. E a média, vale lembrar, é puxada para cima por quem ganha muito: a maioria dos trabalhadores recebe abaixo dela.

Um ano de streaming premium custa mais do que o brasileiro médio ganha em um mês inteiro de trabalho.

A conta que a indústria prefere que você não faça

Foi exatamente por isso que a fragmentação virou negócio tão bom para os estúdios e tão ruim para nós. Cada plataforma isolada parece barata — vinte, trinta reais, "cabe no orçamento". O truque é que ninguém quer só uma. Você quer a série da Max, o filme que só saiu no Prime, o desenho que a criança vê na Disney+ e a novela que a mãe acompanha no Globoplay. Some quatro "baratinhos" e você reconstruiu o preço de um pacote de TV a cabo dos anos 2000 — só que agora com quatro faturas, quatro senhas e quatro apps que travam em noite de estreia.

Pessoa segurando cartão de crédito diante de uma televisão com serviços de streaming, representando o gasto mensal com assinaturas
IMAGEM · quanto-custa-todos-streamings-brasil-carteira-2026.webp · Fonte: GeekFeed

Como pagar menos sem virar pirata

Vou ser direto sobre o que eu mesmo faço, porque acho recomendação genérica uma perda de tempo. Eu não assino tudo — assino em rodízio. Fico dois meses com a Max enquanto tem série que me interessa, cancelo, migro pro Prime, depois pro Disney+. Streaming não tem fidelidade nem multa de cancelamento; usar isso a seu favor é a jogada mais óbvia e a que menos gente faz.

A segunda coisa: o plano com anúncios quase sempre vale a pena. A propaganda incomoda menos do que a diferença de preço dói. Trocar o Premium da Netflix (R$ 59,90) pelo Padrão com anúncios (R$ 20,90) economiza R$ 39 por mês — quase R$ 470 no ano, num único serviço. A não ser que você tenha uma TV 4K de verdade e ligue para HDR, o plano de topo é vaidade cara.

Terceira: pacotes combinados. Prime Video vem de brinde com o Amazon Prime, que você talvez já pague pelo frete. O MUBI sai mais barato para assinante Prime. Operadoras de celular às vezes empurram Globoplay ou Max junto do plano. Vale conferir antes de assinar avulso — é comum estar pagando duas vezes pela mesma coisa sem perceber.

E a verdade que a indústria não gosta de ouvir: você não precisa de sete. Precisa de um ou dois de cada vez, escolhidos pelo que você realmente vai ver naquele mês. O catálogo não vai a lugar nenhum. O seu dinheiro, se você assinar tudo, vai.

No fim, o streaming não encareceu porque cada serviço ficou caro — encareceu porque viraram muitos. A conta de R$ 317 por mês não é o preço de assistir; é o preço de querer assistir a tudo. E esse, sinceramente, é um luxo que faz cada vez menos sentido num país onde ele custa um quinto do salário de quem trabalha o mês inteiro.